Portugal

O Ensino do Facilitismo

Tuesday, September 9th, 2008 | Sociedade | 4 Comments

Chumbos no básico e secundário atingiram valor mais baixo da última década
Lisboa, 09 Set (Lusa) - A taxa de chumbos no ensino básico e secundário atingiu este ano o valor mais baixo da última década, com a maior diminuição a registar-se no terceiro ciclo, segundo dados do Ministério da Educação (ME).
De acordo com os dados a que a Lusa teve acesso, no ano lectivo 2007/08 a melhoria de resultados verificou-se em todos os níveis de ensino, com os números da retenção a descerem até aos 22,4 por cento no secundário (menos 3,5 pontos percentuais do que no ano anterior) e a chegarem aos 8,3 por cento no básico (menos 2,5).
(…)
A melhoria global dos resultados confirma, assim, uma tendência registada desde a década de 1990, altura em que os chumbos chegavam a ser o dobro do que agora, nomeadamente no primeiro ciclo.

Se a melhoria dos resultados confirma alguma coisa é o cada vez maior facilitismo que é dado aos alunos e apenas isso. O ensino em Portugal não está a melhorar, os professores não estão mais eficientes, nem os alunos mais aplicados.

Simplesmente, nos últimos anos, o Ministério da Educação tem procurado limpar a má imagem do nosso ensino e tem-no feito à custa de reformulações curriculares menos exigentes e de regras mais permissivas para os alunos. Aos alunos cada vez é exigido menos, cada vez são exigidas menos competências para transitarem de ano, e para o fazer nem sequer precisam de frequentar as aulas, porque não reprovam se atingirem o limite de faltas… Mas se os alunos não reprovam por atingir esse limite, essa barreira de faltas, na prática não existe limite nenhum sequer… é uma referência totalmente virtual.

Entrámos numa cultura de ensino de desresponsabilização do aluno, para transitar de ano o aluno tem de cumprir critérios ridículos de tão mínimos e pouco ambiciosos que são. Facilita-se a vida aos estudantes, sacrifica-se a qualidade de ensino, em troca das estatísticas parecerem favoráveis a Portugal, em troca de parecermos um país evoluído. Porque é bonito lermos títulos como este da Lusa.

Alunos, pais e professores cumprem as regras do jogo definidas pelo Ministério, pacificamente e sem grandes alaridos porque facilita a vida a todos: os alunos esforçam-se menos nos estudos e, por isso, podem dedicar-se mais a actividades que lhes merecem mais simpatia; os pais livram-se do peso de acompanhar as actividades escolares exigentes dos filhos; e os professores têm menos trabalho porque não precisam de ser tão exigentes e esforçar-se tanto pelos alunos. Felizmente, nem todos são assim. Infelizmente, esses são a minoria.

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