“A associação não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos. O que significa que o primeiro-ministro vai ter um aumento do desemprego”, disse Augusto Morais.
Sociedade
Solução para a Crise
Wednesday, October 29th, 2008 | Sociedade | 1 Comment
Salário Minímo: Associação das PME vai pedir aos associados para não renovarem contratos a termo
Lisboa, 29 Out (Lusa) - O presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas (ANPMES) disse hoje que se o primeiro-ministro “insistir” no aumento do salário mínimo, a associação determinará junto dos seus associados a não renovação dos contratos a termo.O dirigente da associação salientou que o “aumento do desemprego vai levar os trabalhadores a recorrerem ao fundo de desemprego, obrigando o Governo a fazer um orçamento rectificativo”, recordando que há em Portugal 43.720 contratos a termo.
CLAP CLAP CLAP que decisão tão responsável a deste senhor! Assim sim, a economia vai para a frente, o país progride e a confiança das pessoas aumenta! Não sei como é que este senhor ainda não teve a brilhante ideia de se candidatar a líder do governo porque com medidas destas já lá devia estar há muito tempo! Bora lá despedir toda a gente com contratos a termo e já que está numa de despedir, sugira também o despedimento dos recibos verdes, dos efectivos e dos contratados a termo incerto! Assim de certo que saímos desta malfadada crise de uma vez!
Caro Augusto Morais, só se esqueceu de um pequenino (mínimo) pormenor, as empresas precisam de funcionários para produzir! Os funcionários dessas empresas também não vivem do ar nem das desculpas que ouvem para receberem tão pouco. Faça um favor ao mundo, saia do lugar que ocupa como presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas e guarde as suas ideias tristes para si! A proposta do Sócrates não foi a melhor (nem a mais inocente…) mas a sua roça a irresponsabilidade, a imaturidade, a estupidez, a ignorância e a arrogância de quem só pensa no próprio umbigo e nem sequer reflecte nas implicações daquilo que diz.
Sorte a minha que tenho um contrato a termo certo e que não esperei que o meu patrão seguisse o conselho deste senhor. Despedi-me antes disso ser possível!
Quando “pessoas” como esta conseguem espaço nos meios de comunicação social então qualquer um consegue!
Trabalho ou Arte Infantil?
Wednesday, October 8th, 2008 | Sociedade | 24 Comments
Artigo 69.º
(Infância)
3. É proibido, nos termos da lei, o trabalho de menores em idade escolar.
É assim segundo o n.º 3 do artigo 69º da Constituição da República Portuguesa – uma declaração clara que estabelece um direito fundamental inequívoco. A frase em si não me parece complicada de compreender, pelo contrário, mas, no entanto, todos os dias vejo infracções claríssimas a ela. Todos os dias vejo menores em idade escolar a trabalhar, basta-me ligar a televisão e nem é preciso procurar muito… em todas as novelas ou séries portuguesas há pelo menos uma criança, se não mais. E ninguém se rala com isso…
A mim parece-me lógico que as televisões, produtoras e afins estão a violar a nossa Constituição, mas no entanto nem a Inspecção do Inspecção-Geral do Trabalho nem a sociedade civil parecem especialmente preocupados em condenar tal acto. Abrimos a boca para condenar o filho de um pescador da Nazaré que, depois da escola, vai para o mar com o pai ou fica em terra a remendar redes. Que horror, uma criança tão nova, deviam era estar em casa a estudar e brincar e não estar ali a ser explorado pelo pai. Que vergonha… Esquecemo-nos de que, muitas vezes, é a ajuda dos filhos que permite chegar ao final do mês mais desafogadamente e que sem isso talvez a família passasse maiores dificuldades. A isso muitas vezes sabemos apontar o dedo e rotular como “Exploração de Trabalho Infantil”.
Mas no final do dia sentamo-nos confortavelmente nos nossos sofás a ver a telenovela da TVI e a Joaninha, a personagem de seis anos filha da protagonista da trama, e elogiamos os dotes artísticos da criança. Ao fim de semana lemos a entrevista que deu à TV Guia e batemos palmas à Joaninha que diz que consegue conciliar 6 horas de gravação diárias com a escola e que ainda diz que arranja tempo para brincar. Uma actriz à séria!
Qual é a diferença entre as duas crianças? Uma dizemos que é explorada, sobre a outra dizemos que é uma artista. A mim a diferença entre elas parece-me ligeiramente diferente: uma trabalha para ajudar os pais a suportar as despesas diárias e para que a família tenha uma vida melhor, a outra trabalha porque gosta do mundo da representação, da atenção que recebe, porque os pais fazem gosto nisso e porque gostam de ver a filha no pequeno ecrã. Provavelmente esta criança não precisa de trabalhar e não passa dificuldades, mas fá-lo na mesma.
Então porque condenamos uma e a outra não? Porque condenamos a que trabalha por necessidade e não condenamos a que trabalha por capricho e que é explorada mais de seis horas por dia num estúdio e que deixa de ir à escola por falta tempo? Porque é que ninguém parece preocupado com as crianças que trabalham em televisão, no teatro ou no cinema?
A Constituição é violada diariamente e ninguém parece minimamente incomodado com isso… tudo em nome da “arte”, do entretenimento. Mas será mesmo que estamos perante arte ou perante exploração de trabalho infantil?
O Ensino do Facilitismo
Tuesday, September 9th, 2008 | Sociedade | 4 Comments
Chumbos no básico e secundário atingiram valor mais baixo da última década
Lisboa, 09 Set (Lusa) - A taxa de chumbos no ensino básico e secundário atingiu este ano o valor mais baixo da última década, com a maior diminuição a registar-se no terceiro ciclo, segundo dados do Ministério da Educação (ME).
De acordo com os dados a que a Lusa teve acesso, no ano lectivo 2007/08 a melhoria de resultados verificou-se em todos os níveis de ensino, com os números da retenção a descerem até aos 22,4 por cento no secundário (menos 3,5 pontos percentuais do que no ano anterior) e a chegarem aos 8,3 por cento no básico (menos 2,5).
(…)
A melhoria global dos resultados confirma, assim, uma tendência registada desde a década de 1990, altura em que os chumbos chegavam a ser o dobro do que agora, nomeadamente no primeiro ciclo.
Se a melhoria dos resultados confirma alguma coisa é o cada vez maior facilitismo que é dado aos alunos e apenas isso. O ensino em Portugal não está a melhorar, os professores não estão mais eficientes, nem os alunos mais aplicados.
Simplesmente, nos últimos anos, o Ministério da Educação tem procurado limpar a má imagem do nosso ensino e tem-no feito à custa de reformulações curriculares menos exigentes e de regras mais permissivas para os alunos. Aos alunos cada vez é exigido menos, cada vez são exigidas menos competências para transitarem de ano, e para o fazer nem sequer precisam de frequentar as aulas, porque não reprovam se atingirem o limite de faltas… Mas se os alunos não reprovam por atingir esse limite, essa barreira de faltas, na prática não existe limite nenhum sequer… é uma referência totalmente virtual.
Entrámos numa cultura de ensino de desresponsabilização do aluno, para transitar de ano o aluno tem de cumprir critérios ridículos de tão mínimos e pouco ambiciosos que são. Facilita-se a vida aos estudantes, sacrifica-se a qualidade de ensino, em troca das estatísticas parecerem favoráveis a Portugal, em troca de parecermos um país evoluído. Porque é bonito lermos títulos como este da Lusa.
Alunos, pais e professores cumprem as regras do jogo definidas pelo Ministério, pacificamente e sem grandes alaridos porque facilita a vida a todos: os alunos esforçam-se menos nos estudos e, por isso, podem dedicar-se mais a actividades que lhes merecem mais simpatia; os pais livram-se do peso de acompanhar as actividades escolares exigentes dos filhos; e os professores têm menos trabalho porque não precisam de ser tão exigentes e esforçar-se tanto pelos alunos. Felizmente, nem todos são assim. Infelizmente, esses são a minoria.
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